sábado, 1 de janeiro de 2011

Festividade na cumunidade



O pobre trabalha o ano todo,  normalmente na cunstrução, como servente de pedreiro, ou como duméstica lavando a roupa do patrão, até que chega o natal e reveillon, ô data boa, mesmo com a corda no pescoço a criatura sai emprestando cheque até de desconhecidos pra fazer "mercado"; compra um piru, um tender (que parece uma mortadela), muita lata de ervilha, mílho, uns quatro panetone, e quatro caixa de cerveja "Faizz", que está na promoção.

E sempre com a Alcione cantanco junto, gente como póbre tem um tára pela Alcione, aquela mulher nao canta, parece que geme. E toda vizinhança vai comer, aquela farofa de ovo com pele de frango (sim, a unica coisa do frango que o pobre não aproveita é a alma dele) e linguiça, sim, pobre tem uma fascinação por lingüiça.

E todo aquele povo, vestido de branco, mas aquele branco amarelo, encardido, e as crianças pulando, correndo, aquela zona toda, e o melhor minha gente, é que sempre tem aquela mãe que grita o nome inteiro do filho pensando que é chic:
-Wanderson de Souza Pinto, vem aqui meu bebê!


Não podemos esquecer do pobre metido a classe médica, que chega com aquela garrafa de Sidra cereser, dizendo que é "champanha", e se sente no direito de levar até a irmã da sogra pra poder comer junto.
E chega a hora da sobre-mesa, que delicia, aquele monte de pobre em volta da mesa, pegando as beiradas do doce com aquele dedo sujo. Póbre adora fazer "manjar", que nada mais é que mingau gelado, sempre com banana, sim muita banana, pobre só come banana.

E depois do ápice, todos se abraçando entrando em uma espécie de transe, com aquele bafo de cachaça misturado com aquele perfume da avon (pobre só compra avon), sempre tem aquela tia, que leva meia duzia de tapuér, pra levar imensos pedaços de bolo, com uma desculpa esfarrapada, ou é para a avó que esta parindo uma rã ou pro coitadinho do cachorro com verme.


Pobre adora se molhar, sempre tem aquela caixa d'agua velha, que ao mesmo tempo que está cheia de gelo refrescando os litros e litros de Dolly guaraná, também serve de pisciena, e aquele monte de pobre de maiô, pulando naquela água verde, ja batizada com a urina das crianças... ai que nojo.

E esse e as festividade do pobre, coitado, ainda bem que sou Rica, não é meus amores?

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